JOSÉ MARROCOS
José Joaquim Teles Marrocos nasceu em Crato, no dia 26 de novembro de 1842, vindo para Juazeiro em 1908. Como o primo Cícero Romão Batista, estudou em Cajazeiras e depois no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Em 1868, por divergir dos docentes, em teologia, teve de abandonar os estudos para padre. Voltou para o Crato, assumindo a direção do Internato do Coração de Maria, que se fundava. Dedicou-se por inteiro à instrução dos jovens. Homem de invulgar piedade, era católico fervoroso, sem pieguice e sem fanatismo. Movido pela solidariedade, empregou-se na campanha de extinção da escravatura no Ceará, publicando em jornais e revistas matérias de inexcedível inspiração, nas quais se mostrava exemplar liberalista e cristão. Homem de letras, acreditou sinceramente na sobrenaturalidade do sangue presente em hóstias dadas em comunhão a Maria de Araújo, cuja origem perquiria com a soma dos seus conhecimentos de teologia e de outras ciências. Talvez por isto, lhe tenha o Padre Antônio Gomes de Araújo dado o papel de manipulador dos "milagres". O Padre Gomes era declarado inimigo do Padre Cícero e aborrecia as coisas de Juazeiro. Tal sentimento lhe pôs na alma escrever um livro contra os fatos extraordinários observados ali. Em defesa da sua tese, não poupou sandices, ignorância, megalomania, interesses mesquinhos à Beta Maria de Araújo, ao Padre Cícero e ao Professor José Marrocos. Todos os apodos desprezíveis lhe mereceram esses personagens no Apostolado do Embuste, escrito com o intuito de desqualificar o que não sabia explicar. A aversão do Padre Gomes aos "milagres" aumentava pelo fato de José Marrocos ter consigo a urna que encerrava "os panos" usados na limpeza do sangue extravasado da boca da comungante. Nunca, todavia, até agora, se descobriu o pretenso embuste. O livro do Padre Gomes caiu no descrédito. O Padre Cícero tornou-se santo. Não santo nos altares das igrejas católicas. Santo no coração do povo.