DR. FLORO
Floro Bartolomeu da Costa nasceu em Salvador — BA, em 17 de agosto de 1876. Em 1908, chegou a Juazeiro, ficando hóspede do Padre Cícero. No futuro, seria a sombra do padre projetada sobre a cidade, no dizer de alguém. Alguns escritores o têm na conta de oportunista, aventureiro. Enfim, um homem que parasitava o prestígio do Padre Cícero, que, ocupado com os seus romeiros, não tinha tempo para administrar a cidade.
Vejamos seus caracteres físicos: moreno claro, baixo, barrigudo, rosto cheio, lábios finos encimados por bigodes, enérgico, resvalando para a tirania, temperamento intempestivo. — Amália, p. 217.
Com o Padre Alencar Peixoto, Floro botou-se a trabalhar pela independência política de Juazeiro, embora o tivesse trazido o interesse que nele despertou um amigo conhecido em Patamuté — BA, o Conde Adolfo Van Den Brule, que lhe informara da existência de uma mina de cobra, no Sítio Coxá, "em cuja área tinha o P.e Cícero adquirido, por compra, alguns terrenos". (Amália, p. 218.) Sua ambição não ficou nisto. Queria ser político. Graças ao prestígio do padre, elegeu-se deputado estadual, chegando a ser presidente da Assembléia por fatos que só a política explica. Depois, elegeu-se deputado federal por duas legislaturas. (Amália, p. 220-2.)
O poder modificara sua conduta: de homem delicado que era, passou a ser grosseiro, afastando do seu convívio muitos daqueles que tomavam parte nos serões que costumava fazer em sua residência freqüentada pela melhor sociedade local, onde havia muito respeito em meio às palestras amáveis, boas e sérias anedotas, modinhas cantadas ao pé do violão, etc. etc.
Dizia-se que a mudança do seu temperamento fora ocasionada pelas lutas que teve de sustentar e pelas doenças que por muito tempo o atormentaram com fortes dores de cabeça.
Nem o P.e Cícero escapava às suas explosões de cólera. Melindrava amigos, rompia com os correligionários políticos, agia despoticamente com todos. — Amália, p. 222.